quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mas Alguém Tinha Uma Arma

I
Era para ser uma discussão banal na frente do portão de casa.
Mas alguém tinha uma arma.
Talvez uma briga que logo receberia a intervenção da Turma do Deixa Disso.
Mas alguém tinha uma arma.
Quem sabe acabaria com um boletim de ocorrência na delegacia e todos voltariam para casa.
Mas alguém tinha uma arma.


II
Era uma pequena briga num bar, um xingamento qualquer vindo de um bêbado.
Mas alguém tinha uma arma.
Andava com ela desde que leu na veja que o “cidadão de bem precisa se defender”.
Considerava-se um cidadão de bem.
Mas neste dia passou-se na bebida – pouca coisa.
Ficou irritado – ninguém é de ferro.
Ele tinha uma arma.
Deu um tiro no folgado.
Acabou com uma vida e com a sua própria.
Ninguém da veja compareceu ao velório.


III
O casal não andava lá muito bem. Um dia começou uma discussão banal.
Mas alguém tinha uma arma.
Comprada para se defender dos bandidos.
A briga ficou fora de controle. Ânimos exaltados. Perderam a cabeça.
Alguém tinha uma arma.
A mulher está morta.
O homem está preso, ao lado dos bandidos.


IV
Era apenas uma brincadeira de esconde-esconde.
O menino achou um lugar bacana, num cômodo pouco usado na casa.
Mas alguém tinha uma arma.
Bem guardada, num cômodo pouco usado na casa.
Bam!!