domingo, 28 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Parecidos mas nem tanto...
Uma das características da Igreja cristã nas suas origens era a sua capacidade de agregar pessoas e “cair na graça de todo o povo” - expressão usada pelo autor do livro de Atos.
A comunhão, o partir do pão, o compartilhamento de bens, a disciplina da oração e da troca de idéias, eram práticas que chamavam a atenção da população porque a experiência desta fé trazia em si a manifestação do amor de Deus, do respeito ao outro. Era a comunidade da fé celebrando valores como a generosidade, a justiça, a humanidade.
Como reflexo deste modo de viver evangélico, a igreja crescia diariamente, com mais pessoas desejando vivenciar esta experiência que se apresentava como uma alternativa a um modo de viver desconectado de Deus e das pessoas.
Nesta mesma época, estas pessoas que se envolveram afetivamente com a mensagem do Evangelho e passaram a se reunir para celebrar a fé centrada em Cristo, começaram a ser chamadas pelo povo de “cristãos”, porque “se pareciam com Cristo”.
Entretanto, hoje, quando vemos pastores “evangélicos” vociferando ódio contra os diferentes, quando vemos políticos “evangélicos” querendo transformar o país em pátio da sua igreja, quando vemos líderes “evangélicos” desrespeitando a crença alheia, quando vemos gente que frequenta igreja desejar o mal a nordestinos ou defender pena de morte, só nos resta concluir que estes “cristãos evangélicos” de hoje estão cada vez mais longe de serem chamados de “parecidos com Cristo”.
Quando a sociedade olha para estas atitudes, tudo que ela deseja é ficar distante deste “evangelho”.
Difícil dizer isto, mas estamos chegando numa época em que o maior obstáculo à mensagem do Evangelho tem sido a atuação dos próprios evangélicos.
sábado, 4 de abril de 2015
Lamentável comentário sobre a Depressão
Como psicólogo clínico, minha rotina nos últimos 13 anos tem sido a de atender pessoas com os mais variados sofrimentos psíquicos.
Assim como eu, muitos psicólogos, psiquiatras e outros colegas da área da saúde exercemos nossa profissão com um cuidado e uma postura de profundo respeito para com aqueles que estão buscando ajuda para superar seus dilemas, dores e sofrimentos.
Trabalhar com pessoas oprimidas pela Depressão é também um de nossos ofícios. Convivemos diariamente com muito sofrimento, angústias existenciais, identidades desfiguradas, histórias saturadas de tragédias, e riscos iminentes de suicídio.
Cada passo dado por estas pessoas é celebrado como um avanço. Cada dia vivido por elas é festejado como uma vitória sobre a doença, e também sobre o estigma social com o qual elas tem que lidar enquanto ainda estão sob o domínio deste “Demônio do Meio Dia”.
A pessoa que está em tratamento da Depressão está vivenciando um delicado - mas acima de tudo corajoso - trabalho de reconstrução da identidade, de re-escritura de vida, de reconfiguração da maneira de se relacionar com o mundo e consigo mesmo.
No dia 30/03/2015, estas pessoas foram brutalmente agredidas pelo comentarista do SBT-SC, senhor Luiz Carlos Prates, que ao tentar fingir-se de entendido no assunto, proferiu uma avalanche de asneiras, grosserias, desinformações e preconceitos a respeito da Depressão e das pessoas que são tiranizadas pela força desta doença.
[A bem da verdade, eu só vi o comentário no dia seguinte pela internet, pois não tenho o costume de assistir ao SBT - uma emissora que tem Raquel Sheherazade como musa não recebe mesmo a minha atenção. Sabia que o senhor Prates havia sido demitido da RBS, mas não sabia que ele agora estava despejando sua bizarra retórica pelas bandas do SBT-SC]
Para quem conhece de perto o empenho das pessoas que lutam com a Depressão, é muito triste ver um comentário tão equivocado, repleto de preconceitos e clichês.
É lamentável saber que tal comentário foi feito por alguém que diz possuir formação em Psicologia, o que em tese deveria ter-lhe proporcionado o mínimo de noção sobre as doenças da mente.
E o mais importante, é incalculável o efeito que uma fala deste tipo pode ter na vida das pessoas envolvidas neste conflito psicológico. Impossível mensurar os danos causados a alguém que está sob a influência da Depressão, quando ele ouve que é “um deprimido porque é um frustrado”, ou outras das tantas idéias estúpidas que saíram da boca do comentarista nesta desastrosa "análise".
Diante disso, pergunto-me: qual é a posição da diretoria do SBT-SC a respeito deste grave caso de injúria e desinformação?
Estou aqui aguardando alguma retratação do senhor Prates, pelo enorme desrespeito com que foram tratados todos os que vivenciam a terrível doença da Depressão.
Estou aqui aguardando alguma matéria jornalística séria sobre Depressão, que seja veiculada pelo SBT-SC no horário do comentário deste senhor, durante alguns dias, como forma de tentar amenizar o estrago feito pelo absurdo comentário do dia 30.
Estou aqui aguardando um pedido de desculpas do próprio SBT-SC, lamentando profundamente o ocorrido, e anunciando providências para que este tipo de situação ultrajante não venha a ocorrer novamente. Quem sabe, uma destas providências poderia ser mandar o senhor Prates repetir, na íntegra, o curso de Psicologia.
João David Cavallazzi Mendonça
Psicólogo CRP 12/03702
Florianópolis - SC
Cada passo dado por estas pessoas é celebrado como um avanço. Cada dia vivido por elas é festejado como uma vitória sobre a doença, e também sobre o estigma social com o qual elas tem que lidar enquanto ainda estão sob o domínio deste “Demônio do Meio Dia”.
A pessoa que está em tratamento da Depressão está vivenciando um delicado - mas acima de tudo corajoso - trabalho de reconstrução da identidade, de re-escritura de vida, de reconfiguração da maneira de se relacionar com o mundo e consigo mesmo.
No dia 30/03/2015, estas pessoas foram brutalmente agredidas pelo comentarista do SBT-SC, senhor Luiz Carlos Prates, que ao tentar fingir-se de entendido no assunto, proferiu uma avalanche de asneiras, grosserias, desinformações e preconceitos a respeito da Depressão e das pessoas que são tiranizadas pela força desta doença.
[A bem da verdade, eu só vi o comentário no dia seguinte pela internet, pois não tenho o costume de assistir ao SBT - uma emissora que tem Raquel Sheherazade como musa não recebe mesmo a minha atenção. Sabia que o senhor Prates havia sido demitido da RBS, mas não sabia que ele agora estava despejando sua bizarra retórica pelas bandas do SBT-SC]
Para quem conhece de perto o empenho das pessoas que lutam com a Depressão, é muito triste ver um comentário tão equivocado, repleto de preconceitos e clichês.
É lamentável saber que tal comentário foi feito por alguém que diz possuir formação em Psicologia, o que em tese deveria ter-lhe proporcionado o mínimo de noção sobre as doenças da mente.
E o mais importante, é incalculável o efeito que uma fala deste tipo pode ter na vida das pessoas envolvidas neste conflito psicológico. Impossível mensurar os danos causados a alguém que está sob a influência da Depressão, quando ele ouve que é “um deprimido porque é um frustrado”, ou outras das tantas idéias estúpidas que saíram da boca do comentarista nesta desastrosa "análise".
Diante disso, pergunto-me: qual é a posição da diretoria do SBT-SC a respeito deste grave caso de injúria e desinformação?
Estou aqui aguardando alguma retratação do senhor Prates, pelo enorme desrespeito com que foram tratados todos os que vivenciam a terrível doença da Depressão.
Estou aqui aguardando alguma matéria jornalística séria sobre Depressão, que seja veiculada pelo SBT-SC no horário do comentário deste senhor, durante alguns dias, como forma de tentar amenizar o estrago feito pelo absurdo comentário do dia 30.
Estou aqui aguardando um pedido de desculpas do próprio SBT-SC, lamentando profundamente o ocorrido, e anunciando providências para que este tipo de situação ultrajante não venha a ocorrer novamente. Quem sabe, uma destas providências poderia ser mandar o senhor Prates repetir, na íntegra, o curso de Psicologia.
João David Cavallazzi Mendonça
Psicólogo CRP 12/03702
Florianópolis - SC
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sim, eles crescem
| Outubro / 2009 |
Sim, eles crescem
Por isso estar com eles é tão importante.
O passeio de bike,
O jogo de futebol,
A lutinha em cima da cama,
O picolé que lambuza a roupa,
O colo para ver o Papai Noel de perto.
Por isso o tempo com eles é tão valioso.
A leitura de um gibi antes de dormir,
A conversa animada cheia de perguntas,
A caminhada no parque,
A fila de carrinhos de ferro no chão da sala.
Por isso estar perto deles é essencial.
A presença na escola,
A encenação da primeira peça de Natal,
A comemoração do gol do nosso time,
O abraço cuidadoso na hora do joelho ralado.
É tudo tão efêmero, tão veloz, tão breve.
Cada momento é um presente que o Tempo nos oferece,
Para em seguida transformá-lo em passado.
A vida deles marcada pela nossa presença.
Marcas que o Tempo jamais conseguirá apagar.
| Maio / 2014 |
| Março / 2015 |
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Sobre este blog
Com o crescimento das redes sociais, as atualizações neste blog começaram a ficar mais escassas.
Não tenho a intenção de descontinuar este espaço, pois ainda pretendo utilizá-lo para publicação de textos mais longos.
Entretanto, tem sido mais prático fazer as postagens breves através do Facebook e do Twitter.
Se você considerar interessante, pode me adicionar nestas duas redes.
Abaixo, seguem os links:
Perfil no Facebook
Perfil no Twitter
Não tenho a intenção de descontinuar este espaço, pois ainda pretendo utilizá-lo para publicação de textos mais longos.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Borboleta
Às vésperas do ano novo, uma borboleta pousa na varanda e fica gentilmente posando para as fotos.
Será que ela tem noção da sua boniteza? Tem idéia do que ela provoca em quem a contempla? Será que sabe que existe até uma fábula que diz que sua presença é sinal de sorte e bons presságios?
Depois da sessão de fotos, ainda ficou por ali, brincando de voar e pousar. Depois foi embora, talvez alegrar outra varanda.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
2015
Em cada um de nós, em cada momento da vida, em tudo que se move ao nosso redor, há um potencial de mudança.
Todo momento importa. Um abraço no filho, um beijo na esposa, um gesto de gentileza.
Aquele emprego perdido, o vestibular em que fomos reprovados, o relacionamento rompido que nos fez sofrer tanto. Todo momento importa.
Em cada situação há um potencial de mudança, na medida em que nos utilizamos dela para escrever - e reescrever - a nossa história.
2015 não será diferente: ele continuará oferecendo oportunidades para sermos autores de nossa própria vida.
Boa escrita para você !
João David
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