[Millôr Fernandes]
Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos.
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a lage do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuva ocasionais,
Este sim, imortais.
Até que, um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr.
01/06/1962
(Extraído do livro Papáverum Millôr. Círculo do Livro, 1974)
quarta-feira, 28 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Como lidar com a birra
Matéria especial do Portal IG sobre birra de criança, em que tive a honra de participar com algumas idéias.
Clique na imagem abaixo para acessar a reportagem.
Clique na imagem abaixo para acessar a reportagem.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Domingo cinematográfico na Praia dos Ingleses
Algumas imagens que captei ontem na praia dos Ingleses, em Florianópolis. Um cenário maravilhoso que alimenta a alma.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
30 conselhos de Paul Watzlawick para não ser um terapeuta sistêmico
1. Explíquele todo lo que quiera al paciente, sus conductas, sus síntomas, sus actitudes, el porqué –lineal- de lo que le pasa.
2. Crea profundamente que el insight, el darse cuenta, o la toma de consciencia, es un prerrequisito absoluto para el cambio.
3. Por lo tanto privilegie el por qué y no el para qué.
4. Dé relevancia a la explicación y no a la acción.
5. Busque afanosamente el origen de la sintomatología: las causas de la situación presente se encuentran en el pasado de la persona.
6. No pregunte, no intervenga, observe en silencio.
7. Frente a cualquier paciente que le cuestione o le pregunte, responda austeramente “a ud. ¿que le parece?”
8. Respete los silencios y cuando el paciente hable, asienta con un gesto de cabeza de arriba hacia abajo y emita una especie de rumor gutural con la boca entrecerrada, casi expulsándolo por la nariz, “hummmhummm”.
9. No sea intervencionista y preguntón.
10. No se atreva a incorporar más miembros a la terapia, ¡no sea hereje!, más de uno es una contaminación.
11. Descuide el contexto en donde se desarrollen las acciones, no tiene importancia.
12. Aplique el principio dormitivo al que alude Bateson, clasifique, rotule y etiquete al paciente en una categoría y después medique.
13. El paciente identificado como psicótico es el enfermo, no se le ocurra pensar que puede ser la expresión de una disfuncionalidad del sistema familiar.
14. Realice tratamientos extensos, de años, eso sí, con una gran frecuencia de horarios semanales.
15. Maneje dichos horarios, pautándolos en forma rígida, con días y horas semanales rigurosamente establecidos.
16. No sea ocurrente y menos creativo, no sea loco.
17. Adhiérase ortodoxamente a un modelo, constituya su identidad profesional a través del modelo, sea Ud. el modelo.
18. Tenga mucho cuidado con las estrategias, todo intento de utilizarlas será considerado como una manipulación hacia el paciente.
19. No sea directivo, y menos aún, imperativo en su lenguaje, ¡ni lo piense!
20. ¿Qué significa eso de mandarle al paciente tareas para el hogar…?
21. Piense siempre que existe una realidad externa al ser humano, vea si su paciente está adecuado o no, es decir, si tiene juicio de realidad.
22. Esté convencido de que la realidad se descubre y no se inventa, ¿está ud. en su sano juicio?
23. Eríjase como representante de la verdad, o sea, su sistema de creencias es el válido.
24. Nunca se le ocurra explicitarle al paciente el sentimiento que a Ud. le despierta alguna situación, actitud o reacción que él manifieste en la sesión.
25. Nunca connote positivamente alguna acción del paciente; puede tomarse como una sospecha de seducción o de reforzarle el yo.
26. Su pensamiento como terapeuta debe partir de la patología, todos somos neuróticos, y no de la salud.
27. Por lo tanto, debe pensar que un paciente se debe curar y no resolver el problema.
28. Para construir una hipótesis piense monádica, causal y linealmente, sosteniendo que el paciente debe retornar a sus status quo anterior a sus síntomas.
29. Considere que las crisis no significan la posibilidad de cambio.
30. En conclusión, piense en el paciente como un caso, no como un ser humano que sufre o que padece con su problema…y además reivindique el manicomio como un templo de la salud mental…
Extraído de La construcción del universo.
Fonte: Aqui
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Pensamentos também engravidam
Hoje me veio uma idéia que certamente não é nova, mas que me fez ficar brincando com ela durante algumas horas, e que agora compartilho com vocês:
Pensamentos também ficam grávidos.
Pensamentos também ficam grávidos.
A gente vai pensando, as idéias vão chegando, e em algum momento nasce uma iniciativa.
Diferente dos humanos, que em geral levam nove meses de gestação, os pensamentos não têm data para ser paridos. Eles ficam ali, amadurecendo, germinando, sem se importar com o tempo. Às vezes, uma iniciativa nasce após duas semanas de gestação, outras vezes leva dois anos.
No meu dia-a-dia como terapeuta, converso com muitas pessoas cujos pensamentos estão grávidos, à espera de uma boa hora para dar à luz. Nossas conversações terapêuticas são como um exame de ultrassom, no qual podemos ver como eles estão crescendo, que rumo estão tomando, como vão se transformando a cada dia.
O fascinante na terapia é observar estas gestações de idéias e reflexões que se transformam em iniciativas e ações.
Como é admirável ser testemunha das mudanças nascidas da gestação dos pensamentos...
sábado, 21 de janeiro de 2012
Aos visitantes e amigos
Muitas pessoas chegam a este blog através do sistema de busca no Google. Nestas últimas semanas a palavra digitada que mais trouxe visitas ao blog é "palmadas".
Isto me faz pensar que os visitantes que passam por aqui estão interessados em temas associados à educação dos filhos.
Obviamente, não tenho resposta para todos os dilemas, tampouco sou portador de alguma verdade inquestionável. Não faço idéia de quantos se sentem ajudados, ou quantos discordam do que ando escrevendo por aqui.
Mas como psicólogo atuando na área de família e casais, fico muito satisfeito em poder fazer deste blog um espaço possível para o fomento de idéias.
Você que chegou até aqui, não precisa concordar com as minhas opiniões, e eu não preciso tentar convencê-lo a adotá-las como suas. Apenas podemos usufruir da nossa liberdade para expressá-las.
E seja muito bem vindo!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
As palmadas e as nossas imperfeições
Nenhum pai é perfeito. Pais são humanos, e humanos não são robôs. Têm emoções, perdem a paciência, ficam cansados, frustram-se, sentem-se perdidos algumas vezes e não possuem respostas para todas as circunstâncias. Ser pai e ser mãe é um processo de constante aprendizado.
Inicio o texto com estas idéias para conversar com você sobre o uso da palmada na educação dos filhos, conversa motivada pela lei contra a punição física que foi aprovada em dezembro pela Câmara dos Deputados.
Apesar da controvérsia em torno da sua aplicação, proponho uma reflexão baseada no princípio que está por trás desta lei: a punição física como meio inadequado de educação.Palmadas, tapinhas na bunda, chineladas, têm sido práticas “pedagógicas” culturalmente enraizadas em nosso país, sendo inclusive associadas à noção de disciplina, como se o ato de bater numa criança sustentasse em si próprio um poder mágico para instaurar autoridade e correção de conduta.
Porém, estudos tem demonstrado que o uso da palmada promove um impacto negativo no processo de desenvolvimento psicológico da criança, e muitos pais e educadores ficarão surpresos ao saber que a sua intenção pedagógica tem em si um efeito inversamente proporcional. A palmada pode resolver um problema imediato, mas cria um problema maior que vai se estendendo silenciosamente, moldando a identidade e a personalidade da criança.
A idéia da palmada associada à disciplina desconsidera o fato de que há muitas outras maneiras de se disciplinar uma criança sem erguer uma vara, um chinelo ou uma mão sobre ela. “Disciplina” não é sinônimo de “punição física”, assim como “dar limites” não tem o mesmo significado de “bater”.Negar-se a usar a política da palmada não é negar-se a educar, a disciplinar ou a impor limites tão necessários na formação da criança, muito menos colocar em risco a posição de autoridade parental. É, ao contrário, a tentativa de constituir uma configuração relacional que seja diferente do modo vigente em nosso mundo já tão repleto de maus tratos, opressão e injustiça.
É fácil? Não, não é nada fácil.
Certamente o caminho sem palmadas e varinhas é bem mais difícil. Exige dos pais muito mais tempo, paciência, sabedoria, auto-controle, e especialmente o exercício de seus próprios limites para não “perder as estribeiras”. Afinal, como um pai pode ensinar limites a um filho, se ele mesmo não consegue controlar os seus próprios limites em um momento de contrariedade?A educação pela paz é muito mais que uma regra de conduta; é uma postura. Se é uma postura, quando nos conduzimos de maneira equivocada, podemos percebê-la e imediatamente retomar o rumo. Se num lampejo de imperfeição, comum a todos nós pais, e dominados pela irritação ou fúria, apelamos para algum tipo de punição física, é possível restabelecer a consciência de que este não é o modo preferível de nos relacionarmos com nossos filhos. Se errarmos, restará a nós o desafio de levantar a cabeça e continuar lutando para manter nossa postura de não violência, especialmente porque queremos o bem de nossas crianças.
Afinal de contas, a sociedade já conseguiu proibir os escravos de apanhar, já criou leis rigorosas para defender as mulheres, já não bate mais nos seus "loucos", já criou instituições de defesas dos índios, já considera crime a tortura de prisioneiros, já luta contra o mau trato aos animais. Apenas as crianças ainda apanham com o consentimento social. Não é estranho isso?
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