domingo, 18 de dezembro de 2011

Lei contra a punição física: Uma palavra aos cristãos que valorizam a Bíblia como orientação para a vida

A lei contra castigos físicos aprovada pela Câmara dos Deputados nesta semana tem provocado um intenso debate em muitos setores da sociedade. De maneira especial, o tema vem sendo negativamente repercutido entre alguns grupos cristãos, pois a lei estaria indo de encontro à orientação biblica no que se refere à educação infantil.

Os principais argumentos utilizados por alguns cristãos e líderes religiosos para criticar a lei estão baseados principalmente em textos do Antigo Testamento, em especial o livro de Provérbios, que cita várias vezes o uso da “vara” como medida educativa, dando a entender que bater nos filhos tem o aval divino.

O problema é que qualquer texto bíblico deve ser analisado à luz de seu contexto histórico, cultural e social. A tradição teológica contextual nos alerta para o risco de adotar interpretações legalistas e desconectadas de seu contexto imediato. Por esta razão encontramos muitas leis no Antigo Testamento que não são cumpridas hoje, pois sabe-se que tais leis faziam sentido apenas naquele momento, para aquela sociedade.

Exemplos? sacerdotes não podiam raspar a cabeça nem aparar as pontas da barba. Pessoas com deficiência física que não podiam oferecer sacrifícios a Deus por serem consideradas “defeituosas”. Comer carne de porco era proibido, assim como frutos do mar. Homens podiam vender suas filhas como escravas, mulheres não podiam pedir divórcio, e em caso de adultério seriam apedrejadas até a morte.

Enfim, eram leis que hoje aos nossos olhos são vistas como estranhas ou sinais de barbárie, mas estavam simplesmente de acordo com a mentalidade daquele tempo. Nesse contexto, usar uma vara para “corrigir” uma criança era tão aceitável quanto bater num escravo ou apedrejar uma mulher adúltera.

É este tipo de análise contextual que faz com que os cristãos de hoje não saiam por aí apedrejando mulheres, açoitando empregados, ou abstendo-se de um delicioso prato de frutos do mar.

Portanto, se cremos que o uso da vara vale para hoje porque é mandamento divino, também teríamos que lutar pela volta de práticas como tortura, açoites e apedrejamentos.

Além disso, ver a aplicação de castigo físico a uma criança como sendo lei de Deus é desconsiderar o principal salto teológico da cristandade: o advento de Cristo. O nascimento de Jesus foi o marco que instituiu uma nova época, uma Nova Aliança, um Novo Testamento. Uma nova mentalidade, em que a lei dura e severa é substituída pela Graça de Deus, cuja compreensão traz profundas transformações na maneira de se relacionar com Deus, com o próximo, com a humanidade e com a natureza. Um novo tempo não mais regido exclusivamente pela Lei, mas pela Graça. Não mais pelo castigo, mas pelo amor.

Neste Novo Testamento, as relações familiares e sociais não são mais estabelecidas a partir de um viés de violência, mas sim de um referencial de amor e respeito mútuo. Não se fala mais em “vara da disciplina”, mas na disciplina do amor.

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 4:4)

“Disciplina" não é sinônimo de “punição física”. Há muitas maneiras de se disciplinar uma criança sem erguer uma vara, um chinelo ou uma mão sobre ela. “Dar limites” não é sinônimo de “bater”.

Negar-se a usar a política da palmada não é de maneira alguma negar-se a educar, a disciplinar ou a impor limites tão necessários na formação da criança. Nem tampouco é colocar em risco a posição de autoridade parental. É, ao contrário, a tentativa de constituir uma configuração relacional que seja diferente do modo vigente em nosso mundo já tão repleto de maus tratos, opressão e injustiça. É principalmente uma forma de “não se conformar com este século, mas transformar-se pela renovação da nossa mente” (Romanos 12:2).

Os cristãos que se orientam pelas Sagradas Escrituras possuem um genuíno desejo de serem diferentes do mundo que aí está. Precisamos, portanto, lembrar que bater nos filhos é igualar-se a este mundo, pois a cultura da palmada ainda continua a ser o padrão secular na educação infantil. Usar a punição física nos coloca na mesma fôrma social que tanto criticamos.

É fácil? Não, não é nada fácil.

Certamente o caminho alternativo do amor é muito mais difícil, exige dos pais muito mais tempo, paciência, sabedoria, auto-controle, e especialmente o exercício de seus próprios limites para não “perder as estribeiras”. Afinal, como um pai pode ensinar limites a um filho, se ele mesmo não consegue controlar os seus próprios limites no momento da fúria?

Eu não tenho dúvidas de que seria muito interessante se a comunidade cristã, em especial a evangélica, à qual também pertenço, pudesse se deslocar de uma interpretação literal e legalista do Antigo Testamento e despertar-se para esta realidade da Nova Aliança trazida por Cristo, e pudesse finalmente conhecer o que realmente acontece quando uma criança do nosso tempo recebe uma punição física, e quais são os efeitos sobre ela.

Certamente compreenderíamos muito melhor o que o apóstolo Paulo quer dizer quando nos desafia a não provocar em nossos filhos a ira, o medo, a angústia ou qualquer outro sentimento negativo que causa tantos danos à identidade de nossas crianças.

Que Deus nos ajude a sermos pais que vivem sob a Graça do Novo Testamento.

Leia também:
O que uma criança aprende quando apanha
O que uma criança sente quando apanha

25 comentários:

Anônimo disse...

Interessante artigo, porém equivocada a definição do antigo testamento. Vc como se diz evangélico, e conhece a bíblia, deve saber que o pentateuco eh definido por nos como livros historicos. Mas os proverbios de Salomao sao livros educatios, assim como eclesiastes e como os salmos sao canticos. O antigo testamento nao deve ser abolido, logicamente que colocar em pratica as Leis da epoca nao eh correto, ateh pq na epoca se pecasse Deus tirava a vida na hora, e assim nao existiriam mais politicos corruptos. Enfim, leia Colossenses 2.

jd disse...

Olá Anônimo, obrigado por sua participação no blog.

O Pentateuco não é definido por nós como livros históricos, mas como os 5 "Livros da Lei", diferentemente dos Históricos que compreendem os 11 livros seguintes, de Josué a Ester.

Tentei não desqualificar a importância do Antigo Testamento, apenas procurei dar ênfase à necessidade de uma leitura não literal e não legalista de seu conteúdo, tanto do Pentateuco como também dos livros Proféticos ou Poéticos.

Grande abraço

Ronnam disse...

Interessante a forma abordada sobre a educação infantil. Porém acredito que tenha uma grande mistura de conteúdo. Agora analisando o conteúdo teológico vejo que o sr. quer apresentar o "não bater" como forma de evolução social, baseando-se na evolução do antigo testamento para o novo testamento. Se estiver errado sobre isso por favor me informe. Se eu estiver certo em minha análise faço então um comentário. A análise cultural realmente deve ser identificada, perfeita admoestação na resposta ao comentário, aprendi que Deus é um Deus didático e que Cristo veio para tornar perfeita toda lei (acerca do texto sobre a vinda de Cristo). Vejo que a alegação feita sobre os cristãos que não entenderam fora de todo precipitado, pois existe uma hierarquia nos ensinamentos de Deus para a humanidade, ou cristãos como queira definir. Temos por primordial os 10 mandamentos, que devemos seguir sem nos desviar, agora penso eu que não devemos alegar que os textos, como por exemplo de provérbios sobre o "educar com vara" seja uma lei, pois lei implica em mandamento que implica sua prática senão viria punição. Os mandamentos não cumprido implica no seu afastamento de Deus, agora os "conselhos" que encontramos em Provérbios e Eclesiastes serve para quem quer melhor viver com Deus. Acima de tudo esse é um dever apenas do Magistério da Igreja em definir isso, pois sou católico e acredito nisso. O Sr. provavelmente não é católico, logo pensa em algo parecido com o que disse. O país sendo laico teria então esse direito de definir o que é melhor para esse nível de educação?

jd disse...

Caro Ronnam. Muito obrigado por sua disponibilidade em contribuir neste debate. Gostei de sua diferenciação entre "lei" e "conselho".

Tenho forte convicção de que muitos cristãos, católicos, neo-evangélicos ou protestantes, estão muito interessados em dar o melhor para seus filhos.

Por isso tenho tratado deste tema aqui no blog, pois sinto a necessidade de compartilhar minha experiência profissional como terapeuta familiar, tentando contribuir na ampliação do conhecimento sobre os efeitos danosos de uma educação baseada na política da palmada.

Meu interesse neste artigo é suscitar a idéia de que há outras maneiras mais eficazes de educar uma criança, e de que os que têm na Bíblia a sua regra de fé e prática também podem abrir mão das palmadas, varas e chinelos, sem ter medo de que estariam transgredindo algum mandamento divino.

Grande abraço para você.

Anônimo disse...

Fiz esse comentário no facebook. A palavra "vara" na Bíblia tem vários significados, inclusive pode significar "palavra". No versículo que menciona: Corrija o seu filho com a vara - que pode ser também cajado - tem um sentido de palavra, direção, guia. Este trecho foi ao longos dos anos interpretado equivocadamente, quiçá, por conveniência utilizado para justificar a violência física como um castigo aprovado por Deus. A verdadeira mensagem que esse versículo passa é: Corrija o seu filho com a palavra - esta que significa diálogo, orientação, palavra de Deus através da Bíblia. Lamentavelmente, essa não tem sido a interpretação que predomina!!!
Queila Vasni

Anônimo disse...

Nao sou religiosa. Mas fico feliz que entre estes, existam os que tem senso crítico e lucidez. Parabéns pelo texto. Muito preciso, elucidativo e voltado para a comunidade religiosa. Aliviada por encontrar pessoas religiosas no Brasil muito sensatas como você.
Abracos,
Priscila - Alemanha

jd disse...

Olá Queila
Obrigado pelo seu comentário. Também creio que essa possa ser uma interpretação possível para a idéia de vara.
Grande abraço

jd disse...

Priscila, obrigado por suas palavras. Eu creio fortemente que a mensagem do Evangelho é um convite à lucidez e ao pensamento crítico.
Obrigado pela visita ao blog, espero que volte sempre por aqui.
Grande abraço

Luis disse...

Olá, gostei do texto, embora discorde da sua opinião. A bíblia diz que na multidão de conselheiros há sabedoria, e por isso gostei de ver uma opinião contrária à minha. Tenho 50 anos e quando menino lembro de ter apanhado da minha mãe com varadas nas pernas, doeu muito, mas nada que um menino saudável não pudesse resistir. Ela estava nervosa, meu irmão estava debruçado sobre a beirada de um profundo poço de água que ficava no nosso terreno, ela sempre nos advertiu para que não chegássemos perto dele. Ela batia no meu irmão quando eu disse "heroicamente" "pára de bater nele, então bate em mim" e ela o fez. Sempre entendi que ela fez isso por amor, para nos proteger, não queria ter a dor de perder um dos seus meninos afogado num poço escuro. Sempre tive o maior carinho por ela, a dor das varadas não ficaram na minha memória, o amor dela por mim sim, isso jamais passará. Tenho 3 filhas adolescentes e ha uns anos atrás peguei uma vara e levei pra dentro de casa, adverti minha mais velha que não admitia ser insultado por ela, que não queria mais ouví-la descutindo aos gritos comigo, a menor chorou quando viu que eu havia colocado a vara atrás da porta. Sofri com elas naquele dia, chorei por dentro, mas as minhas palavras já não eram suficientes pra mostrar que não havia a opção de filhas ofenderem os pais com palavras. Ela me disse então que se apanhasse me denunciaria ao conselho tutelar, eu disse que enfrentaria a justiça se fosse preciso, mas que essa lição ela aprenderia de um jeito ou de outro. Deu certo, ela passou a controlar as palavras e o volume da voz. Meses depois quebrei a vara que nunca foi usada, mas eu a teria usado se fosse preciso. Eu não poderia deixar que ela se comportasse igual às suas colegas de escola que hoje desrespeitam os pais e no futuro desrespeitarão seus maridos, professores, patrões, amigos, vizinhos, etc... Ela não é uma pessoa submissa de jeito algum, pelo contrário, tem uma personalidade bem forte, mas creio que aprendeu que existem alguns limites e que eu a amo. Às vezes precisamos apanhar, ou dos pais ou da vida, pra entender que estamos indo pelo caminho errado, senão, o sofrimento poderá ser maior no futuro. É a minha experiência e opinião.

Anônimo disse...

Não é lei da bíblia apedrejar mulheres, e a bíblia ensina a educar usando a vara, e não a espancar. Recebi varadas, mas era uma vez a cada erro para mim aprender o que é certo e nem por isso hoje estou traumatizada,pois bater para educar é muito diferente de espancar. Para mim a palavra de Deus vale bem pais do que qualquer projeto aprovado por políticos!Quanto a não comer carne de porco, não acho nada estranho. Nunca comi, nem sinto vontade!

Alex Mello disse...

É interessante o debate. Gostaria que ficasse claro se estamos debatendo sobre a validade do que a Bíblia diz ou sobre uma interpretação correta do que a Bíblia diz. A própria Bíblia advoga pra si ser autoridade final em matéria de fé (credo) e prática.
Assim passamos a discussão sobre a interpretação do que a Bíblia diz. Primeiro, como o artigo diz: O livro de Provérbios contém diversas passagens determinando o uso da vara. Segundo, como já foi falado o livro de Provérbios não faz parte da Lei Mosaíca como os outros exemplos citados, assim a comparação do autor foi imprópria. Terceiro, Provérbios é um livro de sabedoria e que contém princípios práticos para a vida, princípios estes que diferenciam o sábio (mente fechada no original) do simples (mente aberta). Concluo minha contribuição afirmando que o Novo Testamento reforça este principio do uso da vara. Exemplo de Hebreus 12.6-8 "O Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.""Além disso tinhamos nossos pais segundo a carne que nos corrigiam e os respeitávamos ...". Não há de se duvidar do Amor de Deus e nem da forma clara da palavra "açoite". Assim podemos discutir a forma como a correção bíblica deve ser aplicada e não se ela deve ou não ser aplicada, pois nisto a Bíblia é clara, tanto no AT como no NT.

Alex Mello

DaniSapoo disse...

Gostei muito desse texto. Sou contra o uso de violencia fisica (castigo fisico) como "forma de educacao". Acho que existem formas de se ensinar a crianca. Fico deveras preocupada quando escuto argumentos que usam a Biblia para justificar tais acoes. E ler um texto como o seu me deixa bastante encorajada na minha caminhada.

jd disse...

Dani, fico feliz que meu texto traga alguma contribuição à sua jornada. Grande abraço, espero que volte sempre por aqui. Abração

marcela pagani disse...

Incrível! Tenho 25 anos, fui criada em lar evangélico e até hoje a maior parte da minha família é hipócrita, digo, evangélica. Minha educação se baseou nesta distorcida interpretação da Bíblia. Nunca entendi isso, apanhei de chinelo, cinto, mão e vara mas sequer sabia o motivo. Muito boa essa forma de educar, já parte pra pancada e corta o mal pela raiz. Funcionava: o meu pai me batia e eu obedecia, me comportava. Aprendi bem a repudiar este tipo de prática, que acima de tudo me feriu psicologicamente e moralmente, e vejo como esta e outras praticas "cristãs" desestruturaram a minha família. Cresci com medo do meu pai, que era obreiro na igreja. Respeito? hum, creio que medo é a melhor definição.
Esta e tantas outras me fazem sentir pena e vergonha alheia pelos evangélicos. Graças a Deus me livrei do castigo de assistir aos cultos quando saí da casa dos meus pais e me mudei de cidade - sensação de alívio. Vejo as religiões como algo extremamente prejudicial. A minha filha lê livros bíblicos e escuta sobre os ensinamentos de Jesus (de Buda, Dalai Lama, Luther King, Evita Perón), independente de ser afiliada a uma religião. Sem falar no atraso cultural que esta religião me causou, sendo que na minha casa não se ouvia jazz ou bossa nova porque toda e qualquer música que não falasse de deus (e não fosse evangélica, as católicas também não passavam pelo filtro) pertencia ao diabo.
Estou impressionada com a sensatez desta publicação; para mim isto é inédito. Sei que sou um tanto rude nas minhas palavras mas não consigo reduzir a dose do desgosto. O senhor tem o meu respeito e sugiro que agradeça a Deus, por ter lhe dotado de bom senso, e aos seus mestres mortais, sejam professores, pais ou os seus filhos. Está fazendo um bom trabalho.

João Paulino (Lajinha-MG) disse...

Boa noite!

Gostei do comentário do Luiz. Apanhei muito do meu pai quando era criança e todas as vezes eu pensava que ele me odiava por me bater, porém hoje digo que malditas foram as correiadas que ele errou, entendo hoje que aquela era a maneira dele me dizer que me amava que queria que eu fosse uma pessoa de bem, ele deveria ter acertado todas as correiadas porque sei que por certo eu seria uma pessoa bem melhor do que sou.
Criei minhas filhas com o mesmo pensamento e não me arrependo, quando eu batia acho que quem mais sentia a dor era eu porque depois tinha que me retirar pra chorar, uma forma de desabafo, eu sempre pensei que era a forma correta para educar e de muito pouco adiantou, tanto é que uma delas se desviou assim como eu da igreja, não gosta de crentes hoje em dia, se envolveu com um bandido e acabou engravidando dele e hoje quem cria a filha dela sou eu juntamento com ela que tanto amo.
No meu tempo os filhos respeitavam os pais, os professores, os mais velhos, enfim... havia respeito.
Hoje estamos cansados de ver filhos matando pais, enfrentando como se estivessem enfrentando seu pior inimigo e se um pai ousar corrigir o filho com vara acontece isso que o Luiz disse: vou te denunciar no conselho tutelar.
Meu Deus!!!! onde é que fomos parar.

João Paulino (Lajinha-MG) disse...

Somente para completar:
Acho melhor o pai e mãe bater hoje do que ver o filho(a) apanhar da polícia amanhã.
Me lembrei de uma história que ouvi certa vez de um filho que fora criado a revelia pela mãe,nunca foi corrigido e nunca apanhou, fazia o que bem entendia e ninguém o corrigia e se corrigido a coisa ficava feia. Quando adulto este filho foi preso por vários crimes e em uma das visitas semanais sua mãe o visitou chorando muito e no final da visita ele disse a ela que queria lhe falar algo bem nos ouvidos e quando ela se encurvou, ele com uma mordida lhe arrancou a orelha e disse: se a senhora tivesse me batido quando eu era criança hoje eu não estaria aqui.

jd disse...

Prezada Marcela PAgani, muito obrigado por sua visita e participação aqui no blog.

Lamento que sua experiência religiosa familiar tenha sido tão nociva. Felizmente, existem muitos cristãos evangélicos que vivenciam a fé de um jeito mais leve, e que buscam educar seus filhos de uma maneira bem diferente da relatada por você.
Espero que volte outras vezes por aqui!
Obrigado!

jd disse...

João Paulino, agradeço a sua disposição em comentar. Respeito sua posição, apesar de não concordar com a maior parte dela. Experimente conhecer mais de perto esses casos de "pessoas que apanham da polícia" e você ficará surpreso ao descobrir que a grande maioria dos "presos" não são pessoas que "nunca apanharam", mas ao contrário, são pessoas que sofreram algum tipo de violência.
Grande abraço a você

marcela pagani disse...

JD, para que compreenda melhor a minha situação, João Paulino é o meu pai. Quem cria a minha filha sou eu, com mais de 1000 Km de distância me separando do meu pai. Como ainda estudo e não trabalho, ele paga mais da metade das minhas contas e por isso se sente no direito de pensar que a filha é dele também. O referido "bandido", com quem fiz uma filha maravilhosa, se tornou um bandido simplesmente porque não quis se casar comigo, como era a vontade do meu pai. Pois bem, queridos cristãos, não tenho nada contra ninguém mas aqui está exposto o que a vara bíblica e muitas outras distorcidas, enlouquecidas e fanáticas interpretações bíblicas trouxeram a minha família. Um belo exemplo para os pais que querem bem educar os seus filhos. Cresceu com violência, vai querer violentar quem cruzar o seu caminho, vai pensar que isso é normal. Amor, bíblia, família e Deus é outra coisa, minha gente. Bater em filho, dentre outros males, é muita falta de respeito.

Reginaldo disse...

Estou estupefato quando lí o relato da Marcela Pegani. Como uma pessoa pode ser tão ingrata com seus pais. Recomendo que você com toda a sua arrogância passe a se sustentar e tirar o peso das costas de seu pai.Se Ele errou, perdoe, para evitar que você contraia um câncer. A Bíblia diz: "honra teu pai e tua mão, para que te vá bem e vivas muito tempo sobre a terra".

marcela pagani disse...

Reginaldo, não estamos no programa da Marcia Goldsmith, se não percebeu. Muito sábio da sua parte fazer um julgamento de uma relação/história que não conhece, baseando-se em comentários sobre um texto que trata de uma equivocada interpretação bíblica, sobre corrigir os filho com agressão física.
Espero que guarde consigo a fé, o dom de curar ou fazer maravilhas, o dom da profecia e das linguas estranhas, porque lhe faltam todos os demais.
Honra e respeito são vias de mão dupla.

Anônimo disse...

Alguém aqui consegue explicar porque há muito mais pessoas no mundo que agradecem seus pais por terem levado algumas palmadas do que o contrário, exitem ainda aquelas que recriminam seus pais por nunca terem sido corrigidas, ninguém aqui fala de espancamento e lesões físicas, ou alguém aqui consegue explicar, como há tantas crianças hoje em dia que não respeitam pais, batem em professores e nunca levaram sequer uma palmada, alguém explica?

Anônimo disse...

Acredito que a violência contra crianças tenham raízes muito mais profundas.Me parece que essas discussões são a respeito de uma sociedade inexistente porque não condiz com a realidade que muitas famílias brasileiras vivem hoje.o Estado intervêm na família quando não deveria ,mas no que se refere ao suporte que muitas famílias deveriam ter do próprio Estado não tem,gerando crianças com complexos de inferioridade,revolta,a margem da sociedade , sem perspectiva, vulnerável ,psicológica e emocionalmente frágil por conseguinte ;rebelde intratável,inflexível.Esse comportamento muitas vezes torna-se sua forma de protesto ,surpreendentemente algumas crianças desenvolvem esse comportamento na mais tenra idade;Consequência de uma estrutura familiar falida na base, que resulta em grandes conflitos familiares e ambientes agressivos e nesse contexto que muitas crianças são concebidas e crescem .Seria necessário um investimento na recuperação da família como todo e não apenas a supressão de um método que não é a causa da violência mas a tentativa se corrigir algo que está errado,então experiências são repetidas e transferidas.
Coibir ameaças com ameças.não bata no seu filho ou???!!!essa lei não reprime a violência ,ela tira autoridade dos pais e fortalece a rebeldia dos filhos que se sentem resguardados não em sua preservação física,mas em fazerem suas vontades serem aceitas sem ser contestadas de forma nenhuma.As famílias na vida real que o digam, quantas conversas ,palavras ,conselhos ja foram instrumento de correção,sem êxito .sejamos sensatos em julgar que algumas atitudes cruéis de adultos e pais para com crianças são na verdade falta de caráter e expressão de humanidade nula talvez por repetição ou escolha.Agora o Estado julga que todos os pais são incapazes de discernir a melhor forma de corrigir o filho que por ele foi gerado e que com ele convive sendo por ele conhecido.Há excessos , punam os excessos,julguem o histórico.Nem todos vivem sob um mesmo contexto social e demandam com seus filhos de forma igual.Há fatores determinantes na forma como cada família entende ser família .

Juliana disse...

João, li dois textos seus e virei sua fã. Percebo muitos conceitos equivocados da maioria acerca do tema. Filho como propriedade ("o filho é meu, 'educo' como quiser), repetição de padrões e comportamentos sem julgamento de valor ("meu pai me batia e hoje sou pessoa de bem"), confusão entre educação positiva e permissivismo, entre tantos outros. Li muito nesses últimos dias, procurando entender e encontrar fundamentos racionais naqueles que defendem opinião contrária a minha. E o fiz de mente aberta, gostaria de fato, de entender o porquê das pessoas pensarem assim. Não é novidade pra você (nem pra mim) que não achei nenhum argumento lógico e coerente o bastante apoiando a punição física que me fizesse gastar mais de cinco minutos. Sinceramente, alguns comentários me deixavam de estômago embrulhado. Estou evitando adentrar na polêmica em redes sociais, pois são vazias. Respeito, empatia, responsabilidade, compaixão, caráter...os maiores valores do Ser Humano recebi do meu pai, Luz na minha Estrada. Um homem que jamais levantou a mão pra mim se não fosse pra um afago. É isso que levo pra vida. É esse o comportamento que reproduzi com minha filha. Sem mais. Desculpa pelo desabafo. É triste ver que, com lei ou sem lei, a ignorância é um mal longe de ser erradicado.

Talita disse...

Discordo!! Meu marido sempre me alerta a ficar longe dessas controvérsias (rsrs), mas este post tem tantos equívocos que eu não posso deixar de vir pelo menos tecer breves considerações.

Primeiro, disciplina bíblica como eu a conheço (seguindo os princípios expostos no livro Pastoreando o Coração da Criança) não é bater com fúria, como o autor sugere. Se ele pensa que é isso, ele está redondamente enganado porque para o pai que teme a Deus disciplinar com a vara exige amor, auto-controle, paciência, serenidade, sabedoria e compaixão! Afinal, "a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tiago 1:5).

Segundo, os cristãos que o fazem com entendimento NÃO estão se igualando com este mundo. O autor claramente fala do que não conhece, e coloca todo mundo dentro do mesmo balde! Achei sua fala equivocada e cheia de julgamentos preconceituosos!!

Terceiro, ele acusa cristãos que disciplinam com a vara e diz que estes só seguem o Velho Testamento mas não explica, por exemplo, porque Hebreus 12 diz que Deus nos açoita como a filhos e que não devemos desfalecer quando somos por Ele corrigidos.

Enfim, minha opinião é que punição física não precisa ser o mesmo que agredir ou sinônimo de maus tratos. Disciplinar com a vara não é violência, mas um ato de amor para com a criança. Claro que estamos falando da autoridade dada aos pais, e não a professores ou a outros adultos (eu jamais iria esperar que uma escola punisse os alunos desta maneira!).

Também fico super chateada quando ouço julgamentos de que "procurar uma outra alternativa dá mais trabalho", dando a entender que os pais que escolhem disciplinar fisicamente estão escolhendo o caminho mais fácil, porque são preguiçosos ou algo do tipo. Não é verdade! Pode ser verdade em alguns casos, mas certamente não em todos. Quem somos nós para julgar? Eu disciplino com a vara quando julgo necessário e sei que dá muuuito trabalho. Me custa muito, mas faço por amor às minhas filhas.

Como irmãos em Cristo, nós devemos encorajar uns aos outros e não apontar o dedo ou acusar, trazendo divisão para o Corpo de Cristo...